Por favor, conheça o Inhotim!

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Tá… já comecei, recomecei, deletei o início desse post umas 5 vezes. Agora chega. Acabo de desistir de fazer isso ter alguma ordem. Tenham paciência comigo: sou uma pré-balzaca na TPM, em dieta, recém de volta do Inhotim.

Então, apeguemo-nos apenas ao retorno do Inhotim. Os outros fatos são auto-explicativos.

Pergunte para 10 amigos aleatórios sobre o Inhotim. 9 não vão saber do que você está falando, 1 dirá que é um dos lugares mais incríveis que já conheceu. Como pode né? Desde que pisei lá, estou me perguntando como pode a maioria dos brasileiros não fazer ideia de que este lugar ao menos existe, sendo que é um dos destinos mais interessantes do País (quiçá do Mundo).

Antes de viajar, pesquisei bastante para entender o que estava me aguardando em Minas. Devorei o site oficial, li reviews em blogs, me apeguei aos fatos da Wikipedia e fiz esse post aqui, todo informativo. Tolinha. Como se números e fatos explicassem o Inhotim…

O Inhotim é uma experiência particular, cada um sente o Inhotim de uma maneira diferente. O Inhotim é uma experiência íntima.

Obras de arte tão belas, encravadas na exuberância daqueles jardins… ahhhh quantas vezes perdi a respiração ao me deparar com uma nova paisagem.

Panorâmica

Panorâmica

Acordamos bem cedo, fiz o café da manhã, tomei banho, vesti o look bem pensado e escolhido de véspera e fomos para Congonhas.

Aterrizamos no aeroporto de Confins às 8:20 da bela manhã de sábado. Alugamos um carro e por volta das 9h já estávamos na estrada. Ligadíssimos no GPS, percorremos os 80 kms tentando sincronizar alguma estação de rádio que não tocasse sertanejo. A estrada não é muito interessante: é feia, difícil, cheia de curvas, de caminhões, é mal sinalizada. Já perto de Brumadinho, cidade que abriga o Inhotim, paramos para comer uma pamonha (sim, inventei essa agora, amo pamonha!), já que não encontramos nenhum lugar bonitinho para um café com pão de queijo. Acabou sendo uma ótima pedida: a pamonha nos satisfez 150% e estocamos energia para as próximas horas.

Duas horas depois, chegamos em Brumadinho, ui. Cidadezinha feia, viu. Passamos por nosso hotel (depois falo dele) mas optamos por não fazer o check in para não perdermos tempo, fomos direto ao Instituto. Placas indicavam “Inhotim” pra lá e pra cá, quando finalmente, lá estava a entrada do Parque, impecavelmente identificada. Friozinho na barriga. Já na entrada, dois simpáticos seguranças indicavam o caminho e desejavam bom passeio.

Primeiro dia de Inhotim

Chegamos as 11:20. Deixamos o carro naquela imensidão de estacionamento (grátis), que pra nossa (feliz) surpresa, não estava com nem um décimo da ocupação máxima. Iniciamos a caminhada em direção à recepção e imediatamente senti (com sua licença, vou flutuar livremente entre a primeira pessoa do plural e a primeira pessoa do singular pois há momentos em que a coisa fica pessoal) que seriam dois dias de inúmeras sensações. Os caminhos, trilhados em perfeita harmonia com os jardins e obras de arte, me conduziam de forma crescente e surpreendente. Ficamos em uma breve fila e logo fomos atendidos pelos solícitos funcionários do parque. No Inhotim, todos carregam um leve sorriso, atendem alegre e cuidadosamente.

Nos foi sugerido que comprássemos o passaporte para dois dias, tendo 5% de desconto (cada dia R$ 30,00 x 2 = R$ 60,00 – 5% = R$ 57,00 por pessoa para os dois dias de acesso ao Parque). Como a área de visitação é muito grande (110  hectares), há também a opção de transporte interno com carrinhos elétricos ao preço de R$ 20,00 por dia. Esse, optamos por não adquirir porque pensamos em aproveitar e fazer um exerciciozinho já que não teria academia nesses dias.

Devidamente empulseirados e com mapa em mãos, iniciamos a nossa visita. Como são muitas coisas para ver em um espaço bem amplo, o mapa divide o parque em 3 eixos para dar uma certa orientação no percurso: eixo laranja, eixo amarelo e eixo rosa.

Para o primeiro dia, concordamos em fazer os eixos amarelo e rosa. Caminhando, vivi lagos azuis, árvores gigantes, galerias de arte com formas pouco óbvias, arte linda, arte conceitual, crianças, arte chata, arte lúdica, plantas, gansos, gringos, artes multisensoriais, cheiros, pontes, trilhas, sol, sombra, fonte, orquídeas. Nada passa ileso. Tudo provoca alguma emoção. Sejam elas boas ou ruins. Todos os sentidos estão atentos, a atmosfera induz e propicia isso: uma superdose de sensações. Tive vontade de chorar, vontade de sair, vontade de rir, vontade de abraçar. Senti alegria, senti medo, senti desconforto, senti estranheza, senti paz.

Até que senti fome. Dentre as tantas opções gastronômicas, de lancherias a bistrôs, escolhemos o ma-ra-vi-lho-so restaurante Tamboril para fazer uma refeição agradável. E imagina agradável! O Tamboril é rodeado de verde, integrado aos jardins do Inhotim, não poderíamos ter escolhido melhor. Um buffet de culinária internacional extenso e bem executado. Nos esbaldamos entre belisquetes, pratos quentes, sobremesas, tudo harmonizado com um belo vinho branco. Fomos excelentemente atendidos por um garçon, pena não lembrar seu nome, faria questão de mencionar aqui. Além de conversar conosco sobre o Inhotim, nos contar curiosidades e histórias sobre o Sr. Bernardo Paz, o idealizador do Inhotim, nos trouxe uma porção de um nhoque de brie delicioso que complementava nosso vinho. O Tamboril não é barato: o buffet livre custou R$ 63,00 por pessoa + R$ 12,00 para o maravilhoso mundo do buffet de sobremesas + o vinho, claro. Se você puder, permita-se!

Encerramos nosso primeiro dia de visita às 17h15 com esse super “almojanta”, e fomos dar uma jiboiada no Hotel.

Depois de muita pesquisa, hotéis fazenda, pousadas, hotel de luxo, alguns dentro e alguns fora da Cidade, escolhemos o Estrada Real Palace Hotel para nos hospedarmos. Dentre as opções que encontramos, esse nos parecia o melhor custo-benefício. Foi uma escolha inteligente: o despretencioso 3 estrelas fica dentro da cidade de Brumadinho, o que significam 4 kms do Parque. Considerando o extremo cansaço de ter acordado cedíssimo, voar, dirigir 2 horas e um dia inteiro caminhando pelo parque, proximidade é a palavra. Repito, uma escolha inteligente. Por R$ 290,00 a diária para o casal, o Hotel oferece um quarto de bom tamanho, um bom chuveiro, uma cama confortável e wifi. Tem até piscina e sauna. Mas não espere fofura nos detalhes nem leve roupas que possam precisar de um ferro de passar.

Sentimos falta de um meio termo nas opções de hospedagem, sabe? Um hotel boutique simpático (atenção empreendedores!), por exemplo, que atenda pessoas com um gosto mais sofisticado mas que não estejam dispostos a pagar R$ 1.000,00 na diária do Estalagem do Mirante. Está sendo construído um hotel dentro do Inhotim, provavelmente será de ótimo gosto como tudo que tem lá.

Dormimos feito padres. No domingo, devidamente descansados, tomamos café da manhã no Hotel, bem gostoso e completo, e retornamos ao Parque.

Segundo dia de Inhotim

Chegamos às 10:30. Dessa vez não pegamos fila já que tínhamos o passaporte, apenas trocamos o ingresso pela pulseira. Fomos então fazer o percurso do eixo laranja, que tem distâncias bem significativas entre uma obra e outra. Muitas pessoas optam pelos carrinhos elétricos para otimizar o tempo desse trajeto, mas como tínhamos o dia todo só para ele, seguimos firmes em nossa caminhada. E dessa vez foi mais roots. Os caminhos agora não eram mais estruturadinhos: eram trilhas mais fechadas e misteriosas, revelando galerias de design super contemporâneos que contrapunham a mata. Árvores. Barro. Espelhos. Aço. Fotos. Muitas fotos. Senti esse segundo dia mais denso, mais sério, mais introspectivo. Impossível bater as sensações de surpresa e estado de êxtase do primeiro dia, quando eu estava 100% aberta, desprovida de referências, quando tudo era novo e surpreendente. Mas não me entenda mal. Tudo nesse segundo dia foi riquíssimo, de encher os olhos e coração. E pra encher a barriguinha, voltamos ao mesmo restaurante do dia anterior 😀 Amamos o Tamboril! E o tivemos quase exclusivamente para nós, como eu adoro! O garçon tão atencioso do sábado, foi o mesmo que nos atendeu no domingo, e nos explicou que o Parque estava bem mais vazio nesse final de semana, devido à final da Copa do Mundo. Sorte a nossa!

Com a barriga inchada e alma lavada, deixamos o Parque novamente no horário em que encerrava, às 17:30. Essa despedida teve gosto de muito obrigada, de até logo e de por favor, divulguem isso para os brasileiros! Minha Inhotim foi de acalento ao peito.

Conheça o Inhotim! 


Não quis me ater nem correr riscos em explicar as obras. Para isso tem o maravilhoso e completo site do Instituto, com todas as informações e curiosidades acerca delas www.inhotim.org.br

Minha ideia aqui foi transmitir a você um pouco do que pode-se experienciar naquele maravilhoso espaço. Eu contei com a parceria de um amor para compartilhar. Meu namorado Raphael foi a companhia perfeita, como sempre. Rimos e silenciamos juntos. Um super companheiro, culto, tanto me ensinou lá. Foi dele que ouvi pela primeira vez sobre o Inhotim. E foi com ele que vivi o Inhotim.

Algumas dicas:

* Se você chegar no parque às 9h, não parar o dia todo e deixar o parque às 17h30, você até consegue ver tudo em um dia, mas, se puder, reserve dois dias para ver tudo com tranquilidade;

* Vá com roupas e calçados confortáveis. De verdade. E leve um casaquinho para quando o sol se pôr;

* Vá bem alimentado. Não pode entrar com comida. Ou esteja disposto a pagar caro pelo que for consumir;

* Leve roupa de banho. Pode-se banhar em todas as piscinas do Inhotim. Não sabíamos disso e perdemos;

* Leve seus filhos. Eles precisam ser incentivados à arte desde sempre. Mas, pelo amor de Deus, ensine-os que eles devem fazer silêncio quando esse é solicitado;

* Isso vale a você também. Silêncio dentro de galeria, é silêncio! Nem um pio. Nem bateção de sapatos no chão. Nem celular tocando. Por favor;

* E por favor, conheça o Inhotim!

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